O paracetamol é um analgésico e antipirético (antitérmico) amplamente usado, tanto isoladamente quanto em associação a outros medicamentos, sendo considerado uma droga segura e efetiva.
Mais de 100 produtos que contêm paracetamol, podem ser adquiridos sem receita médica. Muitos preparados para crianças apresentam-se em forma líquida, em comprimidos ou em cápsulas.
O paracetamol é um medicamento muito eficaz, mas não é inofensivo. Ingerido em grandes quantidades, pode lesar o fígado, de tal modo que este perde a capacidade de converter os medicamentos em derivados inócuos. Por conseguinte, serão produzidas substâncias tóxicas que podem lesar gravemente o fígado.
A intoxicação por paracetamol raramente é mortal nas crianças que não atingiram a puberdade, por razões que não se compreendem bem. As crianças com mais de 12 anos, tal como os adultos, correm o risco de sofrer uma lesão hepática por overdose.
Apesar do bom perfil de segurança, o paracetamol é uma das principais causas de overdose de medicamentos atendidas em centros de toxicologia, e o espectro de alterações inclui desde lesão hepática até insuficiência hepática aguda e morte. Só nos EUA, são registradas 150 mortes por ano causadas por toxicidade associada ao paracetamol e estima-se que esse medicamento seja a causa mais comum de falência hepática aguda nos EUA.
Além disso, uma parcela significativa dos casos de insuficiência hepática aguda de causa indeterminada, provavelmente é devida à toxicidade do paracetamol.
O medicamento pode danificar o fígado em doses pouco acima das indicadas. Um levantamento feito por uma organização americana sem fins lucrativos, que consultou dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, essas mortes ocorreram por ingestão acidental de doses maiores do que as recomendadas na bula.
O problema, é que a diferença entre a dose máxima por dia para adultos (4 g) e a quantidade que pode causar danos ao fígado é pequena, facilitando a overdose acidental. Outro problema é que a FDA (agência reguladora de remédios nos EUA) demorou muito para incluir na bula alertas importantes sobre o uso da droga, em especial para pessoas que usam álcool regularmente ou tomam outros medicamentos, pois esse metabolismo produz uma substância tóxica que pode levar à falência hepática.
No Brasil, não há dados sólidos sobre intoxicações por paracetamol, mas a Sociedade Brasileira de Hepatologia está iniciando um estudo em oito centros de referência para doenças do fígado e em uma unidade básica de saúde para medir sua ocorrência.
A sugestão que a dose máxima do medicamento deveria ser reduzida de 4 gramas por dia para 3 gramas. “É uma droga segura, mas se usada no limite terapêutico. Até 3 g por dia não causa problemas.
O efeito colateral causado pelo paracetamol é previsível e proporcional à dose tomada, diferentemente dos problemas que podem ocorrer com o uso do analgésico que encabeça a lista dos remédios mais vendidos no Brasil, a dipirona. A droga já foi relacionada à aplasia de medula, onde esta para de produzir células de defesa. Nos EUA e em alguns países da Europa, a dipirona não é vendida.