O câncer de colo de útero é uma importante causa de doença e de morte em mulheres. O desenvolvimento deste tumor está associado a diversas causas, dentre elas a infecção pelo papilomavírus humano (HPV).
O HPV é um vírus facilmente transmitido e geralmente se espalha imperceptivelmente. Transmitido principalmente por meio de relações sexuais, também foram documentadas transmissões por contato mão-genital e oral-genital.
Estudos epidemiológicos têm sugerido que aproximadamente 80% das mulheres entram em contato com o HPV em algum momento de suas vidas e a grande maioria delas nunca desenvolverá câncer.
O Ministério da Saúde deu início ao programa de vacinação contra HPV este mês, onde pretende vacinar meninas entre 9 e 13 anos, utilizando a vacina quadrivalente. O esquema de vacinação proposto difere do que já vem sendo adotado na clinica particular, mas representa um avanço em saúde pública.
A eficácia da vacina contra HPV também foi comprovada em homens para prevenção de condilomas genitais e lesões precursoras de câncer no pênis, ânus e orofaringe.
Teoricamente, se os homens forem vacinados contra HPV, as mulheres também estariam protegidas através de imunidade indireta, pois o vírus é sexualmente transmissível. Entretanto, estudos que avaliaram o custo-efetividade desta vacinação, mostraram que um programa de vacinação de homens e mulheres não é custo-efetivo quando comparado com a vacinação exclusiva de mulheres.
A vacina nas mulheres é eficaz na redução de lesões anogenitais do tipo neoplasia intraepitelial e adenocarcinoma in situ, relacionadas aos genótipos do HPV cobertos pela vacina, seja ela bi ou quadrivalente. A vacina é considerada segura, embora diversas reações graves e até fatais já tenham sido relatadas.
Não há diferenças substanciais entre os níveis de proteção da vacina bivalente e quadrivalente.
No entanto, quando se consideram as lesões por HPV em geral, envolvendo todos os genótipos, os níveis de proteção são bem mais modestos, ou seja, as mulheres continuam a ser infectadas por outros genótipos do HPV.
Em pacientes virgens de infecção por HPV, em geral antes de iniciar a vida sexual, os níveis de proteção vacinal são elevados. Quando a mulher já apresenta alguma evidência de infecção viral antes da vacina, os níveis de proteção caem bastante.
A ocorrência de câncer ligado ao HPV relaciona-se a alguns genótipos carcinogênicos. Os mais importantes no caso do câncer do colo uterino, que estão relacionados a cerca de 70% destes tumores, são o 16 e o 18. Já os tipos 6 e 11 estão presentes em 90% das verrugas genitais.
As duas vacinas disponíveis no Brasil são a bivalente (Cervarix, GSK – para os genótipos 16 e 18) e a quadrivalente (Gardasil, MSD – para os genótipos 6, 11, 16 e 18), se destinam unicamente à prevenção e não são indicadas para tratamento da infecção pelo HPV.
Para ambos os tipos de vacina são necessárias 3 doses ao longo de 6 meses ? a inicial, aos 2 meses e aos 6 meses, para alcançar a proteção esperada. Ainda não há estudos que identifiquem a necessidade de dose de reforço após 5 anos.